31.5.10

O espantalho

Era inverno, o costumeiro e ardido sol não aparecera hoje.
Na mesa da cozinha sua mulher tomava o café, respingado de lágrimas, enquanto olhava fixamente para aquela terra não mais fértil.
Ele terminava de calçar as botas puídas no mais tumular dos silêncios. Visava agora a indesejável pá que estava atrás da porta já enferrujada e com sua tela repleta de furos, ineficiente.
Pegou a pá, a cesta preciosamente carregada, esmagou umas duas ou três baratas e seguiu rumo a seu último plantio.
Cavar na terra infértil é um trabalho difícil, não porque ela fica seca e dura mas por não conseguir enxergar propósito nisso.
Com a terra rompida tudo fica mecânico, enfia a pá, tira um punhado de terra, passa os tristes olhos pela inocente cesta.
Está fundo o bastante. Ele, agora, enrolava lentamente um cigarro para acompanhar o cheiro da terra mexida e morta.
Com o cigarro terminado, ele enxugou as lágrimas enlameadas de seu rosto e seguiu em direção ao cesto. Ó terra infértil!
Era aquele o momento, plantar sua última semente neste mundo infértil e injusto. Delicadamente colocou seu recém-nascido filho, pelado, ainda com vestígios do cordão umbilical e um pouco ensanguentado no buraco recém cavado.
A cada grão de terra que caia sobre o bebê o choro ficava mais intenso, berrava mas não tinha fome, nem sono, não sentia nada. Nada além do desalento do seu genitor.
Com toda terra de volta ao buraco, o choro ia se extinguindo conforme a terra se assentava e asfixiava o rebento...

Silêncio sepulcral.

Aquela terra infértil recebera sua última semente.
Ali cresceu um espantalho.

O dente

O dente sente
O dente mente
Lateja, sangra, pulsa

O dente sente
O dente mente
Ópio pra boca, ópio pr'alma

O dente sente
O dente mente

A mente desmente
o que o dente sente.

Ampulheta

Ampulheta travada.
Um grão de receio,
parado,
sozinho,
ali.
Ampulheta parada;
estagnada; pesada.
E aquele grãozinho
que segura o tempo, o futuro,
parado,
sozinho,
ali.
Uma hora ou outra
aquele grãozinho cede
e seu receio vai ser engolido
por toda uma enxurrada
do passado que não
foi.
E soterrado fica o grãozinho,
parado,
sozinho,
ali.

20.5.10

Cut-up #7 - série revolucionários

O ex-governado uma onda de
controlar as univendas de universi-
duais com mãos 2009 e o enfrentamento
deslocá-las a serviço estudantes com a
"e", portanto, de junho escancararam
atlas, provocou a todo país.
em 2007 emiti da universidade
atos que tinham co-possível solução
tal diminuir ainda crise, apenas a
minha financeira e bata-se do fim das
universidades pautadas reitora
foi a intervenção de um novo
polícia militar que cidades estão
se ocupando de ferro para com
2007 impulsionar o seu governo
mobilizações em dez andes capitalistas

19.5.10

Cut-up #6 - série revolucionários

A mobilização entre estudantes
foi encerrada ao tilitar no dia 9 do
ano que estudar escancarou à vera-
near. Retomará existente não
pelo ato contra a necessidade
vetor realiza regime de poder
em 25 de jan e de todas as
reprimidas pelo país. A indica-
ção da prisão de Grandino Rodas.
Em março ousando por cima
CRUSP ocupadecisão do grupo
Coseas. Com que tem, o direi
à tona que o re-reitor, foi un-
tado em esqueça ditadura e
aos estudantes da universidade
O confrontalista e os seus
entes e a polícia mão de junho não
junho de 2009 e desde o início da
madeira ditadantes vêm procurar
universidade e lá começar
mudança do reitor - inter -
dentro da USP em sua posse
universidades de giro, o qual foi
ação de João Polícia, resultante
para reitor, mas três estudantes
até mesmo os moradores do
pó seletíssimo param a sede
data de votar para ocupação veio
confirmação ditatorial tem monta-
da submissão de vigilância
ao Estado capitão estilo ditadura
de interesses.

18.5.10

Cut-up #5 - série revolucionários

Brandão: é um gesto de uma importância
do ano passado. Não ao veto.
governo do estado e político das profundas
burocracias academiconflitual da luta de
avançar bastante e usar a universidade
"modernização" une tem levado a uma
coma dos interesses, o social interno, e um
monopólio, tanto do maior, por parte dos
utilizadores da pesquisa democrática e aos
capitalistas como dois elementares dentro
da adequação do ensino de repressão e
mão-de-obra, hiperatividade sindical e
oposto, nestes anos são considerados
trabalhadores da "o" no país e um dos
combativos do novo-mundo.
setores minoritários
esquerda tem imposto o difícil, como foi a
resistência a estes prós, nas últimas décadas
esse é o contexto agente interno - as
crises dos fortes - conseguiram
classes que atravessam seu projeto de
nos últimos anos de diversidade de acordo
crescente polarização do grande capital
ataque cada vez no ponto de vista dos
reitores, aos direitos a serviço dos lucros
direitos humanos meu ponto de vista da
USP é uma oferta às necessidades de
criminalização das cesárias. No pólo
político nesta que é a aliança entre os
"instituição modelo USP" e os setores
"vitrine" do Brasil novo estudantil e
de professores.

10.5.10

Cut up #4 - série revolucionários

importantes conquistas da greve declarou que o salário daqueles
automáticos de reposição de cada greve será cortado, ameaçou o
falecido, o que significa menos mil reais a cada dia que houver
menor qualidade das pesquisas e direito democrático de greve. No
projeto de educação, a prova não conseguiu uma liminar na justiça
substituindo as licenciaturas pressupostas. No final de abril, aguarda.
Não nos faltam motivos pra do policial civil Ronaldo Penna
se mobilizar numa greve, não adorar o CRUSP. Os absurdos
salariais, mas também levantando perseguições políticas por parte
da luta pela permanência estudantivista do CRUSP continuam no
Coseas, contra a Univesp e para acabar com os projetos de
nossos cursos de graduação. Ampôlas na UNESP! os estudantes
mobilizados por nossas demandas e insistência dão duramente
combatidos trabalhadores de nosso Rodas, que suspendeu uma das mais.
Na semana passada Rodas da FFLCH de 2002 - o gatilho.
trabalhadores que aderirem aos professores, salas mais lotadas,
piquete - um ataque claro ao ensino. Em sintonia com seu
último dia 6, o Rei "do diálogo", canetada a famigerada Univesp
que permite a volta da PM à Ciências Sociais pelo ensino à distância
Universitário(a), sob o comando de lutar! Os trabalhadores da USP já
agrediram publicamente duas só por suas justas demandas
casos de vigilância policialesca e de bandeiras estundantis, como a
da Coseas aos moradores e em defesa da ocupação do
curso servindo à reitoria para criação de vagas presenciais na
permanência estudantil. Na Única precisamos urgentemente nós
também nos mobilizar pelo pé também em solidariedade aos
reprimidos pelas reitorias. Na USP, a universidade!

6.5.10

Cut up #3 - série revolucionários

Para debater, tu, Virtual do Estado
a vontade real de OESP é um projeto
cuja contemplada é onde se pretende
participação de todos/as, mentem professores
de ensino.
Um importante 03, a reitoria assim
organiza os estudos julgados que a USP
problemas que hoje são à distância, co-
organização da nossa natureza. Des-
mente o X congresso dessa vez o reitor "dos
Ts da USP", que afirma a opinião de
maio. Quer pânico.

4.5.10

Cut up #2 - série revolucionários

Precarização do trabalho que nos tira o que terá início no próximo 5
reduz nossos postos de trabalho sobre "chegar a bom termo"; sobre
calarmo-nos enquanto Rodas e o greve ação da ética e no cumprimento do
sucateamento do HU e da UBAS, de incensos, mesmo que parciais. Há
e toda comunidade do Butantã sem que precisemos de respostas às
contínuas doenças por trabalho a ele em Dezembro/2009.
condições possíveis, devido a fala até agora foi "o dialógo está aberto"
ergonomia adequada e sendo vítima, para o Reitor da USP, a palavra.
O que seria, segundo Rodas algum significado e conteúdo é
aceitarmos que o coordenador da Copocrisia é a demagogia
da greve ameaçando punir os que operados pelo Reitor da USP seriam o
piquete, para assegurar nosso dilema salarial - não repassando aos
coagidos ou ameaçados. Cumprimento concedido aos professores, uma idéia
seria os orgãos de colegiais, pretende que técnica que não discuste salário,
greve, em substituição ao poder legalização de nossas reinvidicações, sem
FFLCH tentar fazer.
E quanto à ética? o reitor ficar assistindo passivamente
aqueles professores, inclusive os aquários que apoiou, avançarem na gestação.

Cut up #1 - série revolucionários

A burguesia sempre trações convocam todos
bar de todas as maneiras e ações de luta a partir
de luta da classe operacional de 1º de maio dia de
festa em que se comemora em S. Paulo
A intenção é de servir como uma etapa
e manter a população organizar todos os ativos
Esse ataque patronal está ocorrendo no País escra-
vizado hoje no Brasil e como a dos professores
"centrais sindicais". Nero, Rei é contra o acordo
da luta da classe ópera empresa, a luta dos sem
juventude brasileira. Ser massacre promovido pe-
la luta da classe ópera o País, a luta do mote
ligados às diversas alas seu maior exemplo na
indústria igreja - SP contra a ditadura do
sentido, deve-se dizer por José Serra: A luta das in-
festações, cujo objetivo é de abortos à defesa dos
acionários no Brasil, população trabalhadora.
Um ato de 1º de maio contra o regime polidental
e classista deve estar.
organizar e esclarecer o hino desta data tradicional
mas também contra todas de todo o mundo é a
freguesa e capituladora, que reinvidicações operárias
credor das lutas que se desvencilha diante dos burgos.

Introdução - série revolucionários

Esta série consiste em textos produzidos através do processo de cut-up, recorte e nova organização das partes dos textos a fim de criar um novo. Nesse caso utilizei os escritos panfletários distribuídos na USP por representantes do SINTUSP, PCO, Centros Acadêmicos, etc.

Além de recortar e rearranjar os fragmentos algumas mudanças, pequenas, tiveram que ser feitas devido a palavras cortadas ao meio, portanto acrescentei palavras que não estavam nos textos ou fiz aproximações do que aquela palavra poderia ser.