22.7.10

Pra acabar

Passei o dia pensando
em como acabou.
Passando de folha em folha...
Na primeira, tímido, está
o seu endereço.
Quase apagado e escrito às
pressas, seu telefone.
Mas esse você perdeu na
semana seguinte.
Um pouco pra frente me
reencontro com aquele taxista
da extrema direita,
todo deformado e equivocado.
Na folha e no dia
seguinte, o trabalho da
sua favorita, a cerveja irlandesa
e aquela carne que
ninguém provou, mas tava
boa.
Em letras garrafais
as caronas para nossa
felicidade instantânea.
Me lembro do livro que
comprei por conta do seu
jornal, que aliás só chegou
agora.
Também do vermelho e
do verde por detrás do
filtro amarelo.
De como você me ajudou
com o retorno do passado
e como ouviu todos os
modos de como eu iria, e
irei, explodir o sol.
Aqui também está gravado
o grito da rua, aquele que
ouvimos juntos.
Achei registros de tinta
ainda molhada sobre
Buenos Aires e suas
garrafas vazias.
Aqui tem um pouco de
nós...
Mas essa
é a última folha
e o caderno acabou.

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