10.4.09

Mais um dia, mais uma chaga. A cada pensamento lembro dela, a cada pensamento uma agulha me perfura a pele. Queria ter sido só mais um na massa, só mais um comum. Só que agora a mesma que consola e faz-me esquecê-la, incentiva e me reaviva a memória.

Estranho, um casal que ama pessoas diferentes, ambos sabem disso, e mesmo assim se apresentam como casal na frente dos amados. Dois covardes, na verdade só um, o outro ao menos tentou.

Mas esse um, ah esse um! É um colecionador de chagas, um admirador da dor. Ele se alimenta da miséria e, ocasionalmente, alguns comprimidos.

Quem sabe um dia ele resolva suas questões e, com muita sorte, passe a diante sua coleção... quem sabe!

Tudo depende de L., ele lhe dirá. Mas não confie na escória, ela sempre mente. Tudo só depende dele, L. só determina seu fim, nem isso; na verdade L. não determina nada, ela não tem o que determinar só ele que pode escolher o seu caminho, independente do que L. escolher. Ou ele segue em frente, ou não.

Para seguir em frente, aí os fatores dependem de L., se ela agir como ele quer tudo fica fácil; mas se agir como ele espera, lá se vão muitos comprimidos goela abaixo e está na hora de se recompor.

Para não seguir só resta uma dúvida, que facilmente é decidida, no momento seria um nó muito bem dado.

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