Mais uma noite lutando contra o meu sono. Mais uma seqüência de horas olhando pro teto, desejando fortemente que meu organismo tire uma folga e pare de funcionar feito uma máquina.
O pior de tudo é que eu até tinha um calmante dentro da gaveta ao meu lado, esperando pacientemente para ser consumido, mas no fundo acho que eu gosto dessa miséria de espírito, no fim das contas é a infelicidade que me mantém de pé.
Um tanto quanto irônico, mas o homem admira a dor, a respeita e chega até mesmo a desejá-la. Isso tudo pelo fato dela ser mais forte que todos nós, por conta dela conseguir nos derrubar numa leve fração de segundo.
Acho que após tentar derrotá-la, e obviamente fracassar, passei a admirá-la ainda mais. Ela resistiu a tudo. Conversas, noites em claro, pensamentos feitos e refeitos, ansiolíticos, anfetaminas, opiáceos, cocaína... tudo.
Se hoje me oferecessem a cura, talvez a recusasse. Ela se incorporou de forma tão intrínseca com meu cotidiano, ficaria maluco sem ela. Me tornei um dependente da dor, ela passou a ser um combustível para minha existência.
E pensar que nós começamos esse namoro, acho que posso denominar nossa relação dessa forma, com o afastamento da pessoa que você tomou o lugar. O posto que você, dor, ocupou estava destinado à outra pessoa, destinado a uma pessoa de verdade.
Apesar de tudo isso, agora nada mais importa, eu conheço a cura e ela prefere homens barbados...
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