5.8.10

Borralho

Deitado na cama, eu me encontrava entupido com subterfúgios. Sonhava.
A luminosidade era baixa, vinha só do computador que continuava ligado enquanto eu entrava em stand-by.
Imaginava estar sozinho, como nas outras noites... Minha mente distante e a música reverberando suavemente. Mas desta vez meu vizinho, amigo de longa data, me seguira e agora se escondia no banheiro. Observava-me atentamente, contando cada respiração que eu dava. Era demasiadamente preocupado.
Flashes se intercalavam em minha mente, conscientemente inconsciente. Não o notara.
Ele começara a se agitar, precisava fumar um cigarro. Mas seria descoberto, tudo iria ralo abaixo... Não...
A música fluía junto com o bem estar e a falta de preocupações que me fugiriam no dia seguinte.
Abruptamente minha porta foi aberta, Tomas entrou e com seu triste e sério olhar de remoída certeza, despejou um líquido sobre meu corpo. Meu vizinho ficou muito aflito, mas decidiu não se denunciar. Precisava ficar incógnito.
Tomas acendeu um fósforo, esperou um momento observando a chama, quase como se estivesse esperando o carvão estalar.
Emiti um grunhido em meio ao meu delírio.
O fósforo incendiou meu corpo que queimava através do reflexo dos olhos aguados de meu vizinho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário