Pela janela o sol ardia, queimava cada centímetro de sua pele que aos poucos ele cobria com seu uniforme. Enquanto se vestia relembrava cada instante da sua tomada do poder, de como o sol ardia naquele dia...
O sol reluzia, na janela formava quase uma grade, aquele quadriculado de luz o ofuscava e aturdia o raciocínio. Estava trancado.
Ele não era o único incomodado com aquele ardor, assim como ele não conseguia abotoar o último botão de sua farda, seus cães de guarda anfetaminados mal conseguiam implicar com os que passavam pelo portão. Estava vulnerável demais.
Seu copo suava sobre a mesa, seu corpo em sua farda. Pressentia o pior, e sabia exatamente o que ia ocorrer, afinal já havia participado desse ato. Com tudo abotoado ele limpava, agora, seu revólver. O que quer que acontecesse ele tinha que estar brilhando como esse maldito sol.
Tudo pronto. Seu uniforme, impecável. Seu revólver reluzia. Seu sorriso, doentio. Mas estava tudo muito quieto.
Eles chegaram.
Disfarçados com seus jalecos e fuzis, malditos revolucionários. Era o fim, fora derrubado. Invadiram seu gabinete e em vantajoso número o inutilizaram. Foi conduzido de farda, revólver reluzente e inofensivo. Estava conformado.
O jogaram numa sala branca, foi esticado e preso numa mesa. Era a cerimônia de posse, no seu caso deposição.
Sua cabeça queimava como se uma corrente de alta voltagem fluísse por ela.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário